O desfecho

– Eu te odeio!
– Não, você me ama.
– Você está bem enganado, eu te odeio e muito.
– Claro que não, eu sei, você me ama e muito.
– E como pode afirmar isso. Eu to dizendo, Carlos, eu te odeio tanto, tanto que minha vontade agora é
– É de me beijar. Também sei disso. Seus olhos, Catarina, eles não condizem com as palavras que você me diz.
– Ah, faça o favor. Meus olhos? Você nunca me olhou nos olhos, duvido que saiba que cor eles são.
– Pois eu sei. Sei mesmo.
– Ah é, então vou ficar em pé, virar de costas. Pronto, agora me diz que cor são meus olhos?
– São os mais lindos olhos que já vi. Castanhos bem claros, eles também costumam ficar verdes quando você fica ao sol ou quando chora assistindo os filmes de época que gosta. É de matar quando você olha com desdém. Viu, como sei que você não me odeia, quando encaro eles eu vejo simplesmente você. Por isso eu repito, você me ama e muito.
Ela ainda de costas e com as pernas bambas ficou sem fala e sem ar. Virou para ele e encarou aquele rosto. Jamais tinha escutado essas palavras. Ele tinha razão, ela não odiava, o que sentia era amor. Amor de corpo inteiro, amor de dentro para fora, amor que desconhecia, que assustava. Amor bem maior que ela.

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