O talvez

Quem sabe deveria parar de fumar. Talvez devesse somente diminuir a quantidade de cafeína ou porque não parar de tomar cerveja?

Poderia trancar-se no sótão e viver somente de livros e papéis ou então se mudar para um país gelado bem distante de tudo. Talvez devesse mudar o corte de cabelo ou trocar a cor do esmalte nas unhas das mãos. Deveria trocar as idas ao supermercado por corridas de longa distância no parque.

Por que não mudar os móveis da casa de lugar ou pintar uma parede de vermelho, se bem que laranja ficaria melhor. E se grafitasse a geladeira e pendurasse mais quadros na parede da sala? De repente deveria sair para dançar na chuva ou arriscar tocar o violão que junta poeira no canto do quarto.

Poderia aproveitar também para quebrar alguns pratos, destruir alguns copos, esmurrar alguns sacos de areia. Pode ser que gritar também ajudasse ou quem sabe se parasse um pouco conseguiria perceber que talvez devesse parar de procurar,  já que de tanto procurar nunca achou.

E se tentasse novos amigos? Novo trabalho? Um curso de alemão? Não, nada disso. Tinha mesmo era que deixar de sentir medo. Medo do talvez, do inesperado. Medo do desconhecido.

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