Sua vida, seu penar

Sua história não é agradável, nem um pouco suave e muito menos harmoniosa. Não faz parte de contos de fadas porque era verdadeira. É real e intensa de sentimentos: da insensatez a confusão, de loucura ao sonho. A história de alguém que cansou de mentir para si mesma.

No entanto era a mais linda de todas as histórias, porque era dela e de mais ninguém. Não existiam personagens inventados, enredos fictícios e amores possíveis. Era simplesmente a verdade apresentada da maneira como ela é.

Cruel? Talvez. Mas fazia parte de alguém real, de carne e osso. Era única e viva.

Carregava no peito um membro dilacerado pelas desilusões que a vida lhe trouxe. Caminhava por uma estrada que não tinha fim a e trazia consigo a pergunta que emudecia o coração: quantas são as dores e as alegrias de uma vida?

Piscava os olhos, se olhava no espelho. Imaginava o rosto do impossível, porque, era nele que encontrava o pouco do que restou de si.

Isso nunca vai ter fim – pensou.

Apagou as luzes e deitou em sua cama. Fitava o teto branco enquanto encarava o silêncio. Não adiantava se indignar, nem voltar atrás, a verdade não podia mais ser ignorada. Doía, mas afinal, não se podia passar uma vida sem magoar alguém.

Antes de adormecer repetiu mentalmente para si: Aconteça o que acontecer, quero apenas viver daquilo que brotar espontaneamente de dentro de mim e não mais viver das nostalgias das besteiras que fizemos ontem.

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