Copan e seus fantasmas

No Copan há aproximadamente 5 mil moradores e circulam no local em torno de 6.500 pessoas por dia. A diversidade não se restringe às histórias contadas por aí, elas estão presentes na diferente identidade das pessoas que compõem o Copan, inclusive daquelas que estão além do que se pode ver.

Segundo a lenda  ( contada pelo próprio síndico)  um fantasma ronda a casa de máquinas do edifício e faz a bomba de água funcionar às três ou quatro da madrugada. “Esse mesmo fantasma costuma me visitar também na administração. Todo dia, no fim do expediente, ele passa e dá tchauzinho’’, diz Afonso.

E assim é o Copan, sua vidas, seu amores e seus fantasmas …

Crédito da foto: Roberto Baldassari

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Senta e toma um café. Por que o mundo acabou faz tempo

Seu nome era Alice, mas queria mesmo chamar Melissa. Pintou o cabelo de pink aos quinze anos porque preferia “debutar” a la rebelde do que a princesinha nojenta de cabelo loiro escovado.Trocou sua coroa e vestido rodado por um piercing e duas tatuagens o que quase matou seus pais de infarto.Era contra o comum.

Enquanto suas amigas comentavam sobre Menudos e Rick Martin ela se concentrava nos vinis do Stones e Ramones. Deu seu primeiro beijo no mesmo dia que comemorou o primeiro porre de sua vida em companhia de um garoto bad boy bem mais velho que ela.

Trocou o pink dos cabelos pelo roxo aos dezessete porque era uma cor mais rebelde para a época. Fumou seu primeiro cigarro ilícito, passou a imitar as caras e bocas da Madonna no quarto e pendurou um pôster de Joan Jett na parede.

Com dezoito se tornou groupie de uma banda de rock da cidade, aos dezenove fez sua terceira tatuagem e resolveu colocar mais um piercing. Trocou o all star por coturnos pretos, passou a tocar guitarra.

Com vinte montou sua primeira banda de rock. Seu primeiro show foi aos vinte dois e seu primeiro livro foi lançado aos vinte quatro anos. Aos vinte e seis teve sua primeira overdose por excesso de anfetaminas e foi parar no hospital.

Casou com um rockstar quando tinha trinta anos. Teve sua primeira filha com trinta e seis. Foi traída em rede nacional no dia que comemorou trinta e nove anos.

Aos quarenta e dois mudou de cidade e lançou um novo romance. Aos 56 socorreu sua filha do primeiro porre, sentou a pobre garota em um sofá gasto da sala, deu um trago no cigarro e esbravejou: Senta aqui, toma um café forte porque o mundo acabou faz tempo.

Morreu de câncer aos 68. Morte carnal porque seu espírito estava morto desde o dia que desejou se chamar Melissa e não Alice.